menor de quebrada2022projeto gráficoselecionado no festival zum/ims 2022
Você já se perguntou o que aconteceria se a sua infância tivesse sido diferente? Eu já. Morar em outro CEP, talvez até em outra cidade. Uma família e condições sociais diferentes, instruções e companhias outras. De fato, isso mudaria o jogo. A infância que vivenciamos não nos define por completo, mas tem um peso gigantesco em quem nos tornaremos na vida adulta. Acima de tudo, isso é ciência. Um estudo da Universidade Federal de Pelotas, de 2022, mostrou que a pobreza na primeira infância afeta a saúde e a inteligência de crianças e adolescentes até a vida adulta. Já uma pesquisa publicada em dezembro de 2021, na revista científica European Child & Adolescent Psychiatry, e divulgada pela Agência FAPESP, mostrou uma associação entre um contexto de pobreza na infância e maior propensão a desenvolver transtornos mentais. Falo de ciência, mas também de vivência. Nasci e fui criado no fundão da Zona Leste de São Paulo capital, entre os bairros Jardim Miragaia, Jardim dos Ypês e Jardim Campos. Assim como em qualquer outra periferia e favela, a perspectiva de futuro era muito limitada. Dentro desse cenário e como resultado da minha jornada com a infância, se criou a obra Menor de Quebrada: um fotolivro que reúne registros feitos entre 2016 e 2023, que tentam captar as sutilezas da infância na periferia — selecionado no Festival Photothings e integrante da Biblioteca de Fotografia do Instituto Moreira Salles (IMS). fonte: Rafael Felix para Emerge Mag


